sábado, 25 de Outubro de 2014

Isto no meu tempo não era assim

No meu tempo não havia canais de desenhos animados disponíveis 24h/dia. Bom, com a idade do meu filho falar em canais era referirmo-nos à RTP 1 e à RTP 2. A SIC e a TVI foram um upgrade de luxo à rotina televisiva. Quem diria!
Desenhos animados durante a semana eram os que passavam durante a votação do Agora Escolha e a Rua Sésamo ao final da tarde (caramba, agora que penso na mistura explosiva que é juntar a Vera Roquette e o Poupas percebo alguns dos meus traumas). Restart tv era um conceito tão esotérico e distante como cidades flutuantes e carros voadores, e o que eu tinha agradecido à alma caridosa que tivesse engendrado essa invenção nas tardes em que a minha avó se juntava com as amigas para verem um capítulo da novela venezuelana e eu não podia ver a Ana dos cabelos ruivos. Tinha sido gratidão para o resto da vida!
Os Sábados de manhã eram o dia mais esperado da semana. Era o dia em que tínhamos uma manhã INTEIRINHA de emissão infantil. Eram desenhos com fartura pá e uma pessoa acordava horas antes da emissão começar só para não perder pitada. Nem sei bem o que fazíamos no período de tempo em que no ecrã só estava a mira televisiva. Julgo que ficávamos assim entre o modo catatónico e o hipnotizados a olhar para a porra do relógio que aparecia no canto, a contar os segundos (sempre entretinha mais do que contar os minutos) até às 8h.
A partir daí era uma manhã bem passada no sofá a ver tudo o que tínhamos direito.
Aos 33 anos, quase 34, ainda não perdi o vicio de ao Sábado de manhã me enroscar no sofá a ver desenhos e até há bem pouco tempo a coisa corria bem. Não sei se fui eu que numa dessas manhãs adormeci e dormi demais acordando com ele já demasiado crescido se é culpa da abundância e variedade televisiva disponível, mas o que é certo é que hoje, Sábado de manhã, dia em que devíamos estar a ver desenhos animados, a única enroscada no sofá sou eu enquanto ele joga PES e me vai ensinando as diferenças entre as posições dos jogadores e as tácticas de jogo.
Entre a lavagem cerebral do médio ofensivo, avançado, ponta de lança, defesa central, defesa esquerdo e direito, dos 4x4x2, das faltas, dos carrinhos, dos golos e de tudo o que é equipa europeia, estou a pontos de dizer: volta Poupas, estás perdoado!

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Só faltava falhar-me a luz

Há dias em que tudo falha!
Hoje falhou-me muita coisa, o bom senso para perceber que mandar uma criança para a escola mascarada uma semana antes do Halloween não era boa ideia. Vá lá que quando o fui buscar já tinha ultrapassado o vexame, estava feliz e bem disposto e, espantem-se, ainda me fala e gosta de mim. Um generoso.
Falhou-me a hora da primeira reunião do dia pois isto de andar cansada, dormir metade da noite no sofá e acordar a horas de ainda fazer pinturas faciais dignas de estarem expostas no Tate custa. Menos mal que, coisa rara e nunca vista, não apanhei trânsito, não fiquei 10 minutos à procura de um lugar para estacionar nem tive de esvaziar a mala à procura do demoníaco cartão que me deixa entrar na chafarica chegando só 15 minutos atrasada, mas ainda a tempo de pedir um café.
Falhou-me a hora de almoço por ter saído da primeira reunião quase a horas de entrar na segunda (a qual acabou mesmo à hora de sair), contentando-me a encher o bucho com um mísera salada comida de pé no balcão de uma mísera copa. É para a dieta. Não sou eu que estou sempre a dizer que estou gorda? Vai buscar!
Falhou-me a esteticista que não tinha vaga para mim e me vai fazer passar o fim de semana da mesma maneira que passei a semana: de calças bem compridas e com calor. Tranquilo. Assim como assim se ela não me falhasse falhava-lhe eu pois se até comer foi luxo, tirar pêlos era milagre.
Falhou-me a empregada que ontem à noite avisou que hoje não podia vir. Ok, o fim de tarde de sexta feira pode ser passado em modo sopeira até porque com esses pêlos o modo Cinderela não dava.
Falhou-me a paciência para depois de tudo isto cozinhar. O Calvin não quis MacDonalds nem encomendar pizzas. Podia achar que era vingança pelo episódio de hoje não fosse ter-se contentado com salsichas, ovos estrelados e esparguete e não, não quero saber, nem me interessa, se acham que é comida de qualidade duvidosa e tida como menu de senhora da vida.
Visto que estou a escassos momentos de nos enfiar aos dois na banheira para um banho quente (até ligava os jactos para uma massagem não fosse a coluna estar avariada e vir o técnico arranjá-la amanhã de manhã. Pumba, lá falhou a possibilidade de dormir mais um bocado ao Sábado) que vai anteceder uma noite de ronha e filmes no sofá e tendo em conta que a minha casa é toda única e exclusivamente eléctrica, resta-me rezar para que não me falhe a luz e me dê cabo dos fracos planos.
É raro falhar a luz em Lisboa? Sim, é. Também é raro ir ao Facebook ou ler um blogue e haver gente com um dia tão medroso como o meu por isso, venha de lá um Pai Nosso só para prevenir.
Até tirava fotos com filtros bonitos do Instagram para ilustrar esta bosta toda, mas para misérias e figuras triste basta ligarem a televisão na TVI.

Eu, as máscaras, o Calvin, o Halloween e a minha capacidade de traumatizar a minha cria

Não gosto de máscaras. Não gosto do Carnaval e tão pouco percebo o porquê de festejarmos o Halloween. Acontece que sou mãe e acontece também que o meu filho frequenta um estabelecimento de ensino e até convive com pessoas que, por acaso, comemoram estes dias.
Assim sendo, e na tentativa de não tornar a minha cria num bicho raro, fui obrigada a compactuar com estes festejos, mas sempre com muito pouco sucesso.
Este ano estava decidida a fazer tudo diferente. Estava determinada a organizar-me, a encarnar o papel de mãe prendada no que a máscaras diz respeito, de tal forma que ao receber o mail do colégio no início da semana a anunciar a festa de Halloween, comecei logo os preparativos.
Confesso que achei estranho a festa ser hoje, uma semana antes do dia, mas pronto, podia ser a dinâmica do colégio e quem sou eu, criatura que não festeja nada disso, para questionar o dia em que resolvem mascarar os putos.
Vai daí que de manhã preparo o mais belo, o mais elaborado e o mais fantástico espécime de Harry Potter. Ele era o uniforme, a capa, o cachecol dos Gryffindor, a varinha oficial da personagem culminando tudo com uma pintura facial, a roçar a obra de arte, de uns óculos e da famosa cicatriz.
Orgulhosa. Era isso que eu estava ao olhar para o produto da minha organização e empenho nisto das mães, colégios e festas de máscaras e seria assim que me sentiria o dia inteiro se, ao chegar à porta de Hogwarts, perdão, do colégio, não me dissessem que a festa era só para a semana. Epic fail!
Ele quase chorava e eu só conseguia rir com a minha estupidez.
Valeu-me o facto da roupa do Harry ser parecida com a do colégio (as calças até eram as do uniforme) e de, depois dos adereços tirados e da cara lavada, ele estar decente para ir para a sala.
A sério gente, digam-me que ele não vai ficar traumatizado com isto, que percebe que quem fez figura de parva fui eu e que na verdade isto é um episódio que nos vai fazer rir MUITOOOO daqui a uns tempos. Caso não achem isso, agradeço a quem me der contactos de bons, muitooooo bons psicólogos infantis.

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

A D. Dolores que às vezes há em mim

Quem acha que uma bateria, um órgão ou uma guitarra eléctrica oferecido a uma criança é um presente envenenado para os pais, é porque não tem balizas para dar uso depois de um dia de trabalho.
A Messi não chego e Cristiano Ronaldo é o Calvin. Resta-me treinar para ser a D. Dolores ao fim da tarde.
Mãe chora!

Enquanto o sol brilha lá fora...

...e há gente que nasceu com o rabo de tal forma virado para a lua que hoje pode ir pô-lo ao sol, eu estou aqui enfiada na chafarica a pensar, a pensar, a ver se consigo dar resposta a uma pergunta que insiste em não me sair da cabeça.
Será que ter 3 monitores na minha secretária, sendo um de um portátil e os outros 2 com mais 50 cm, dá para bronzear pelo menos a cara?
Pelo sim pelo não vou dar "um toque" nas definições aqui dos bichos. Mesmo que não me tirem esta cor de lula, de certeza que me aquecem e me metem a suar. Bem sei que suar não dá boas cores, mas funciona assim a jeitos de sauna o que também já não é mau.

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

O quê que eu respondia à malta caso fosse a Renée Zellweger?

(Já agora, onde é que andam todas aquelas defensoras ferozes de que uma mulher é muito mais do que um corpo, neste caso cara, que já chega de esteriótipos e críticas ao gorda/magra/feia/bonita? )

Persistência é o que não me falta...e fome

Só isso explica não ter trazido uma colher para comer a gelatina e em vez de desistir, o que só me fazia bem, estar a fazê-lo com um daqueles "palitos" para mexer o café.
Eu sei que é preciso paciência de chinês para o fazer, que é preciso destreza nos dedos para equilibrar a mini porção de gelatina até à boca e que acima de tudo pareço ridícula a comer desta maneira, mas vejamos o lado positiva. Além de entretida por um bom bocado, o esforço é capaz de contar como exercício.