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quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

11

Nunca me consigo lembrar ao certo do dia. Tenho sempre de confirmar em que dia foi pois, não sei porquê, na minha cabeça ficou o 11 e não o 12.

Talvez me tenha ficado o 11 por ter sido último dia em que te vi e na verdade, esse é que conta.

Fala-se muitas vezes que devemos sempre despedir-nos das pessoas como se fosse a última vez pois nunca sabemos se as voltamos a ver, tu mesma dizias isso tantas vezes, mas não sei se isso é possível. Fica sempre tanto por dizer, tanto por fazer... e entre nós não foi diferente.

Mesmo não estando a falar, tenho um nó na gargante e um aperto no peito que não me deixam dizer mais nada por isso, resta-me apenas dizer que morro de saudades tuas e que o meu Janeiro será sempre infinitamente mais triste.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

No que me fui meter


Este ano resolvi voltar à decoração de mesa mais vintage. Aquela decoração que me lembra a infância e os centros de mesa feitos pela minha mãe.
O ritual era sempre o mesmo: ir à Romeira Roma tirar ideias (muitas) e comprar o material escolhido para a minha mãe dar asas à imaginação. 
Tempos houve em que a mesa foi feita e dimensionada de propósito para acolher o tal arranjo. Em faltando espaço, era a mesa que tinha de ser maior e não o arranjo mais pequeno, como é evidente.

Tantos e tantos anos a vê-la fazer estas decorações, resolvi pegar no que me lembro e no que acho que sei, comprei tudo o que acho que preciso e é pôr mãos ao trabalho.







Hoje talvez o consiga acabar, que isto de criar requer tempo e inspiração.
Não sei se vou ser capaz de fazer um igual aos dela, nem sequer se consigo chegar lá perto, mas mesmo que não consiga, pelo menos tento. Enquanto isso, a casa cheira a Natal e eu lembro-me dela.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

4 Anos...

No meio de tantos dias difíceis, Janeiro tem sempre os mais dificeis de todos. Há uma névoa na minha cabeça que faz com que não me lembre com clareza dos factos, de quem estava, de quem ajudou, de quem deu a mão, o ombro, de quem me ficou com os miúdos, mas no meio dessa névoa sei exactamente, mesmo que me tente esquecer, qual o dia em que deixei de poder falar contigo todos os dias, pelo menos da maneira a que estava habituada. Falar falamos sempre. Eu sei que tu me ouves e sei que terias muito para dizer. Juro que vou tentanto sempre interpretar o que estarias tu a dizer-me. 4 anos. Uma eternidade que ainda assim parece sempre que foi ontem. Ao mesmo tempo parece que nunca foste embora, mas depois as saudades e a ausência esfregam-me na cara que já não estás cá. Nunca devíamos viver sem mãe. Eu ainda não sei como é que isso se faz, mas vou vivendo e a única coisa que sei é que gostava tanto, mas tanto que estivesse cá para ver. O dia 12 será ser sempre um dia negro e todos os outros que se seguiram a esse, mesmo os que foram felizes, tiveram e sempre terão uma peça que lhes falta. Há sempre um prato a menos na mesa, há sempre uma fatia de bolo que sobra e que penso sempre que é a tua. Resta-me falar contigo e de ti. Muito. Alimentar tudo o que me ensinaste e nunca deixar que a tua presença morra. Essa, a que tenho em mim e a que planto nos teus netos, não há cancro ou doença que a leve. Ontem aguentei-me. Hoje não consigo e, como em todos os dias em que acho que não consegui fazer nada a não ser chorar, vou pensar na tua mão na minha a cabeça a dizer "vá, cabeça para cima que isso vai passar. Tenho qualquer coisa cá dentro que me diz que isso vai correr bem e tu sabes que a mãe acerta sempre".

quarta-feira, 8 de abril de 2015

E vão 3...

Diz que está de chuva. Confirma-se.

Andavam para aí a prometer dias de sol, temperaturas de Verão, tardes de praia e afins, mas foram balelas. Uma pessoa bem tenta, mas o casaco não nos sai de cima e as botas continuam nos pés.

Diz também que já lá vão 3 anos. Três anos! Na altura também chovia, aliás, trovejava. Há 3 anos que o teu número continua ali na agenda do telemóvel, na memória do telefone de casa e há 3 três anos que, neste dia como e tantos outros, nem sequer arrisco ligar. Eu sei que o número talvez já nem exista, talvez tenha até sido atribuído a outra pessoa. Na verdade acho que só existe mesmo ali, na minha agenda e tu não atendes a chamada de certeza, essa é que é essa. Hoje era o teu dia. Contavas mais um. Agora  as contas são outras. Em vez de contares 93 anos de vida conto eu 3 anos de falta dela. Dizem também que 3 é a conta que Deus fez, mas não. Deus não faz contas destas. Esta matemática temos de ser nós a resolver, com esforço, a contar pelos dedos e o resultado é sempre o mesmo: noves fora – nada!

Já não gostava do Carnaval, nem do Halloween, muito menos do Ano Novo. Agora também não gosto da Páscoa e a culpa é tua. Este ano a Páscoa foi diferente. Comecei a criar novas memórias que, tais como as que tenho tuas, também espero que durem para sempre. Não me apetece ter mais más recordações neste dia. As que tenho já me chegam. As deste ano são bem melhores.

Hoje, pela primeira vez em 3 anos, apeteceu-me visitar-te, mas não estás em lado nenhum. Nem sei bem o que ia lá fazer. Talvez levar-te um ananás. Eu sei que toda a gente levaria flores ou algo assim, mas lá está isso de eu achar que não sou toda a gente e tu gostavas mais de ananás do que flores e as prendas são mesmo isso – coisas que gostamos.

Em não havendo telefonemas, nem beijinhos, nem conversas (bolas, agora tenho tido tantas novidades que ias gostar), nem visitas nem ananases ficam umas palavras toscas assim como que uma tentativas de parabéns.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Em loop...


...em especial na minha cabeça é onde toca mais alto...

"...I'm so cold, I'm afraid, to find hollow life, sleepless night, empty days..."