quinta-feira, 17 de setembro de 2026

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É este o número de dias em que estou sem fumar.
Se há um mês atrás me perguntassem se queria fazê-lo, diria que não. Que os cigarros, mesmo que electrónicos e cada vez mais longe do glamour de uma esplanada parisiense e um copo de vinho, eram o único vício que tinha e um grande consolo.

Fumei durante 30 anos. Fumei nas gravidezes, nas festas, nos momentos tristes, nos momentos de solidão, nos momentos de stress e de nervoso miudinho. Fumei com gosto.
Mas os cigarros e eu tínhamos, literalmente, uma relação tóxica e, como todas as relações dessa natureza, chegou a altura de acabar.

Nos primeiros dias senti-me triste. Como se me faltasse qualquer coisa. Um vazio. Agora já são raras as vezes que me lembro e, como qualquer paixão que começa a passar, às vezes damos por nós a forçar a sua lembrança.

Não me quero estar demasiado confortável nesta separação. O conforto e a confiança podem fazer-nos pensar que temos tudo controlado. que dizer um "olá" não vai fazer mal. Que é só um telefonema, só um café. Não quero reaproximações. Não lhe tenho raiva, mas quero distância.
Só o tempo dirá se terei recaídas ou até mesmo dar uma segunda oportunidade a esta paixão, mas neste momento, sinto apenas orgulho da decisão que tomei.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Walk like an egyptian

Quem diz "walk", diz "sleep".
A idade traz-nos muitas coisas, em especial o refinar do gosto, incluindo em lençóis.
Achava que isso do número de fios era tudo muito bonito, mas na verdade bastava ser 100% algodão que já era óptimo. Deus nos livre de dormir em poliéster. 
De facto a ignorância é, por vezes, uma bênção e eu cá que odeio ignorantes de qualquer espécie, no capítulo dos lençóis passei a ser uma pessoa informada. Já sabemos que tudo tem um preço e o conhecimento nestas coisas, como em tantas outras, paga-se caro.
Passei a ser uma pessoa informada, certa que precisava de ter na minha vida lençóis de algodão egípcio de 1000 fios. Se por um lado sou uma pessoa informada, também sou - ou tento ser - uma pessoa realista e concluí que 600 fios já era um bom compromisso e que permitir-me-ia dormir em algo que não fosse uma lixa.
Neste momento vou só levantar as mãos para o céu para agradecer a quem acha que mereço mais do que 600 fios de algodão e por isso me presenteou com um conjunto como deve ser.
Após um dia merdoso, resta-me o consolo de saber que logo, quando me deitar, vou ter 1000 fios à minha espera.

Fruta podre

Ontem deitei-me chateada, a achar que as coisas não são, muitas vezes, o que parecem, que as pessoas nem sempre são o que apregoam e quem mais advoga certos conceitos de superioridade moral, intelectual e até espiritual, são quem mais precisava de os ter. 
Acordei e o mundo estava ainda mais podre. Desta vez não era só o meu mundinho que, na verdade, só importa para mim. Era o mundo em geral.
As notícias são tristes e deixam-me revoltada. O meu mundinho, de ontem para hoje, não melhorou e ainda que a uma escala bem diferente, mostra que, em altura de aperto, vale quase tudo para nos safarmos.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

45 and fabulous

Cheguei aos 45 e viciei-me em Bobbie Goods.
Se isto não é ressuscitar a criança que há em mim, então não percebo nada disse do alimentar a criança interior que há em nós.

Então e o teu aniversário, Anita?

Entrei nos 45 com tudo o que pedi e mais um bocado.
Mesmo a neve que tanto desejei, não se limitou a dar um ar da sua graça - nada disso. Foi o maior nevão em novembro dos últimos 30 anos.

Vim com o coração cheio de amor, a barriga cheia de fondue de queijo, a cabeça cheia de paisagens dos Alpes cheios de neve, as pernas com muitos quilómetros em mercados de Natal e com muitas, mas mesmo muitas memórias bonitas. 

Se estou onde imaginei que estaria aos 45 anos? Não. Se estou feliz e em paz onde de me encontro? Muito.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Génio da lâmpada

 A poucos momentos de entrar nos 45, se esfregasse agora uma lâmpada e me saísse de lá um génio (e por génio não peço o Einstein. Basta um meio espertinho capaz de me satisfazer uns desejos), aqui vai o que lhe ia pedir:

  • Saúde;
  • Amor;
  • Acordar no meu destino deste ano a nevar copiosamente!

Génio, se me estás a ouvir, é começar a trabalhar, mesmo sem esfreganço,

Prefiro chamar-lhe dom em vez de produtividade

Na hora de almoço consegui comprar uma impressora, umas botas para a neve e uma placa para o fogão nova.
Tudo isto numa hora e dez minutos.
Ainda não sei se bati um record de produtividade ou um record de mais dinheiro gasto por hora.
Seja como for, vou sempre chamar-lhe um dom.