É este o número de dias em que estou sem fumar.
Se há um mês atrás me perguntassem se queria fazê-lo, diria que não. Que os cigarros, mesmo que electrónicos e cada vez mais longe do glamour de uma esplanada parisiense e um copo de vinho, eram o único vício que tinha e um grande consolo.
Fumei durante 30 anos. Fumei nas gravidezes, nas festas, nos momentos tristes, nos momentos de solidão, nos momentos de stress e de nervoso miudinho. Fumei com gosto.
Mas os cigarros e eu tínhamos, literalmente, uma relação tóxica e, como todas as relações dessa natureza, chegou a altura de acabar.
Nos primeiros dias senti-me triste. Como se me faltasse qualquer coisa. Um vazio. Agora já são raras as vezes que me lembro e, como qualquer paixão que começa a passar, às vezes damos por nós a forçar a sua lembrança.
Não me quero estar demasiado confortável nesta separação. O conforto e a confiança podem fazer-nos pensar que temos tudo controlado. que dizer um "olá" não vai fazer mal. Que é só um telefonema, só um café. Não quero reaproximações. Não lhe tenho raiva, mas quero distância.
Só o tempo dirá se terei recaídas ou até mesmo dar uma segunda oportunidade a esta paixão, mas neste momento, sinto apenas orgulho da decisão que tomei.
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